A estratégia de contra-ataque da Ambev frente ao sucesso da Heineken

A cervejaria brasileira vem investindo intensamente para manter a liderança no mercado

Nesta última sexta-feira (25), a Ambev (ABEV3) apresentou ao público os resultados do último trimestre da empresa. E o que os números revelaram não foi tanto uma surpresa.

O lucro líquido da cervejaria brasileira caíram 11,6% no terceiro trimestre, levando em consideração a mesma época em 2018. Segundo a fabricante, seu volume diminuiu, mesmo após o acordo de distribuição com a Red Bull em junho deste ano.

Foto: Divulgação/Site/Ambev

O resultado é um reflexo de outra marca que, ultimamente, tem crescido com força no gosto dos brasileiros: a Heineken. Com foco na linha premium e puro malte, a holandesa tem cada vez mais investindo na expansão e modernização de suas cervejarias. Ainda na metade deste ano, a Heineken anunciou um aporte de R$550 milhões para injetar nas suas fábricas de Araraquara, Itu, Campos do Jordão e Jacareí.

Mesmo sendo a líder no país, a Ambev já delimitou estratégias para frear o boom de sucesso da concorrente. A companhia vai apostar na sua diversidade da sua carta de marcas – aquelas que são puro malte e premium. Bernardo Alves, presidente da Ambev afirmou estar confiante no rumo que está tomando com a cervejaria. “O jogo no mercado premium é de portfólio”, afirmou em entrevista à Exame.

Bilhões a menos

Com essa redução nos lucros, em dois dias, o preço das ações da Ambev reduziu consideravelmente. Foram 8% perdidos em 48 horas, ou seja, uma perda de 26 bilhões de reais. Entretanto, quando se fala em faturamento, a brasileira não deixou a desejar: o crescimento foi de 8%, o que representa 11,9 bilhões de reais.

Para enfrentar os resultados, a Ambev está confiando nas suas marcas de maior sucesso entre os consumidores. Beck’s, Bud, Colorado Lager, Corona e Stella Artois são os carros-chefe da cervejaria, que já afirmou que vai manter a Bud como a porta de entrada para as linhas premium.

Estratégia contrária

Na contramão da Ambev, a Heineken prefere apostar numa carta menor. Recentemente, a holandesa anunciou o corte de seis das dez linhas da Eisenbahn – outra cerveja que tem caído no gosto dos brasileiros.

Esse corte faz parte da sua linha estratégica em todos os países em que opera, o que acaba sendo sua maior característica frente ao mercado cervejeiro. E ela tem se provado eficaz, pois os números não mentem.

Foto: Reprodução/Unsplash

Nos últimos anos, a Heineken vem caminhando numa onda de crescimento mundial, especialmente no Brasil. O consumidor brasileiro já se tornou o maioria (em números) do público global da marca, o que também justifica o tamanho da sua presença no mercado nacional. Atualmente, a Heineken obtêm 20% e pode chegar a 25% até 2023.

Esse dado é reforçado pelo tanto de investimento feito, até agora, pela empresa. Se em maio, ela anunciava R$550mi, hoje, os números chegam a mais de R$985mi, segundo o Banco Bradesco BBI. O intuito é dobrar a capacidade de produção, com melhorias constantes nas fábricas e no seu modo de operação.

Crise em outras linhas

Enquanto as variedades premium e puro malte têm cada vez mais caído na preferência das pessoas, a linhas mais populares (e mais baratas) estão sofrendo uma redução na busca.

Tanto a Ambev, quanto a Heineken sofreram quedas no volume dessas linhas – como Antarctica, Brahma, Skol e Stella Artois da Ambev, e Amstel, Sol, Schin, Kaiser e Bavaria da Heineken. A redução para a brasileira chegou a 3% no terceiro trimestre; para a holandesa, o número foi maior, atingindo mais de 10%.

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Marcus Bernardes Fundador

A Magia do Mundo dos Negócios – 2013

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