Após maternidade, empresária funda rede de apoio a mães empreendedoras

Nem sempre a maternidade é encarada com segurança por uma mulher. Apesar de ter uma carreira consolidada, através da Injoy, empresa de marketing, que atende clientes como Danone, Unilever, J&J, Roche, Valeant e Alpargatas, Dani Junco ficou perdida ao ter a notícia de que seria mãe. Para complicar, acabara de ser admitida em um curso que iria ajudar sua empresa a crescer ainda mais. “Quando eu engravidei tive depressão pós-parto e vi toda segurança que eu tinha de 16 anos de mercado e seis de empresária ir por água abaixo. Comecei a ter contato com outras mães e assim entender melhor esse universo denso e emocional e quis colocar todo o conhecimento meu e da minha empresa para ajudar essas mulheres a empreender já que voltar para o mercado é muito complicado”, conta. Com a ajuda das sócias Micheli Junco e Juliana Lopes, Dani lançou a B2Mamy, um grupo de negócios e conteúdo para mães empreendedoras. Confira a entrevista de A Magia do Mundo dos Negócios com Dani Junco, da Injoy e B2Mamy:

 

Você já era empresária antes de ser mãe há 6 anos, mas algumas coisas mudaram após a maternidade, quais foram?
Antes eu era a Dani Junco. Empresária da Injoy, agência de marketing já consolidada, com uma carreira em projeção e uma rotina frenética de viagens e 12 horas de trabalho. Estava sempre segura do meu lugar no mundo. No mesmo dia que eu soube que estava grávida soube que passei em um curso subsidiado pelo banco de investimento Goldman Sacks para FGV, chamado 10.000 mulheres que tem o objetivo de ajudar empresas lideradas por mulheres a crescer. Vi durante o curso, conhecendo empresas de menor porte das que eu lidava na Injoy, algo crescer dentro de mim além do Lucas, uma busca incessante pelo propósito que estava me tirando o sono.

Como e quando surgiu a ideia da B2Mamy?
Quando o Lucas chegou, tudo foi desconstruído, pois me trouxe dúvidas, ansiedade e uma depressão pós-parto. Mesmo tendo uma rede de apoio incrível, fiquei com medo de como conviver com essas duas paixões (empreender e ser mãe) sem negligenciar nada. E nesse caminho conheci mulheres produtivas que estavam  sem poder retornar ao mercado de trabalho por valores incompatíveis com os custos de babá e/ou escola, falta de rede de apoio, preconceito do mercado, síndrome do segundo filho, não querer ficar longe do bebê, ou pasmem, por ordem do marido para não atrapalhar a casa. A alternativa? Empreender.

Com a busca pelo propósito e com essa nova experiência me perguntei como poderia ajudar essas mulheres a empreender e se profissionalizar. Metade das empresas abertas quebra até o terceiro ano, como mudar esse cenário? Então cresceu dentro de mim o B2Mamy que tem três propósitos principais: Conhecimento, Networking e Canal de Venda para compra em rede.

E eu não poderia ir sozinha, então conversei com as minhas duas sócias Micheli Junco e Juliana Lopes e uma cliente de uma grande Farmacêutica, Ana Pinzkoski, que estava na segunda maternidade e perguntei se queriam entrar nessa barca comigo. E a resposta foi sim. Pronto, já tinha a força que precisava e portanto era só fazer.

Dani e o filho Lucas, de um ano e três meses. (Arquivo pessoal)

Dani e o filho Lucas, de um ano e três meses. (Arquivo pessoal)

Quais são as atividades propostas?
Conhecimento: encontros presenciais e online com palestras com outras mulheres que possam passar um conhecimento prático e de fácil aplicação

Networking: gerenciar uma rede de relacionamento onde as mães forneçam e consumam dentro da rede de relacionamento, referenciando as marcas e produtos.

Canal de demanda e venda: Disponibilizar um e-commerce nos mesmos moldes que fazemos na Injoy,  para que a venda que é o ponto alto de empreender aconteça.

No que o B2Mamy lhe ajudou após a maternidade?
No encontro impressionante de fazer o que eu sei para quem meu coração quer fazer. Empreender com propósito devia ser a busca de todos. Quem faz o que ama nunca mais precisará trabalhar na vida.

Também agregou a seu negócio?
Sim, temos hoje 28% do nosso faturamento já em PME lideradas por mães empreendedoras. Temos uma célula na empresa preparada para entender o conceito somente desse universo.

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Dani e as sócias Micheli Junco e Juliana Lopes; (Divulgação)

Acredita que a maternidade foi uma vantagem ou desvantagem no empreendedorismo? O que mudou em sua rotina?
Ele só tem um ano e três meses. Ainda estou lidando com essa balança. Tem os dois lados, com certeza minhas prioridades mudaram e isso foi uma desvantagem porque a minha produtividade invariavelmente também caiu. Tivemos que redividir algumas atividades na empresa, e eu nunca havia remarcado uma reunião ou alterado horários, coisa que acontece hoje quando o Lucas precisa de mim. Virei PHD em logística.

Tenho outra mulher empreendedora incrível que é minha mãe e que me ajudou nessa fase até mesmo por entender os dois lados assim como eu. Além disso, mesmo sem serem mães, minhas sócias entenderam tudo desde a gravidez e são a quem recorro nos momentos aflitos. São minhas parceiras, um dos elos mais fortes da minha rede de apoio.

A vantagem é meu olhar mais prático sobre o dia a dia, senso de prioridade por conta do tempo que reduziu. Levo menos coisas para casa, deixo as avalanches no trabalho e me envolvo mesmos em conflitos. O Lucas me fez ser uma pessoa bem melhor.

Poderia deixar uma mensagem para as mães que pensam em empreender ou estão em início de carreira?
Tenho com toda humildade do mundo três conselhos de quem já errou muito e quase quebrou no terceiro ano de empresa:

– Pesquise o mercado e busque conhecimento. Não é só porque você sabe fazer algo (mesmo que seja muito boa) que o mercado vai querer comprar. Ele não vai te acolher e por várias vezes será muito cruel.

– Você não terá todas as habilidades em você. Uma empresa precisa de um excelente comercial, quem operacionalize e quem controle as finanças. Qualquer falta nessa tríade irá te levar ao fracasso. Se não quiser um sócio, encontre bons colaboradores

– Mesmo que trabalhe de casa ou esteja no começo busque ser profissional. Enxergue longe, onde quer chegar e gerencie seu tempo. Se não deseja ser empreendedora somente tirar um troco, isso não vai acontecer. O caminho será complexo e frustrante. Se envolva em grupos de empreendedorismo, leia muito, troque experiência.

tag: B2Mamy, Dani Junco, dia das mães, Empreendedorismo Feminino, Injoy, mãe empreendedora,

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Marcus Bernardes Fundador

A Magia do Mundo dos Negócios – 2013

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