Baterista, empresário e fundador de um grande festival: sim, ele vive de música!

Todo mundo já ouviu a frase “No Brasil não é possível viver de música”, mas sabemos que para quem tem talento, persistência e visão, nada é impossível no mundo dos negócios.

O empresário e músico Luciano Pimentel, de Santa Cruz do Rio Pardo (interior de São Paulo), é exemplo disso. Aos 31 anos ele comanda uma escola de música, eventos e workshops, uma banda e o maior festival rock´n roll de sua região, que visa revelar talentos independentes, contando com a presença de grandes nomes, como Ira!, Raimundos e Ultraje a Rigor. Acompanhe nossa entrevista exclusiva com o empresário:

Como iniciou sua carreira na música? Teve apoio de amigos e familiares?
Me encantei pela música quando pequeno, ouvindo os discos de meus pais. Na adolescência fundei a banda Landau 69 com amigos apenas para tocar no intervalo da escola, mas o projeto tomou grandes proporções e hoje temos 13 anos de história e reconhecimento na região.

Eu queria fazer faculdade de Música, mas meus pais não viam com bons olhos, então como eu gostava de mexer com computadores, fiz faculdade de Ciência da Computação. Trabalhei com eles em seu escritório de advocacia e fiquei por dois anos em uma empresa desenvolvedora de sites, mas não era o que eu queria. Com um problema de saúde, decidi sair do emprego sem nada em vista. Até que um professor de bateria me convidou para abrir uma escola em minha cidade, que até esse momento só possuía um conservatório. Minha proposta era mais moderna e diferente de tudo que havia na área. Além desta escola, muitos alunos faziam aulas particulares, sem material ou estrutura, o que não era o ideal. Foi então que há quatro anos nasceu a Tons & Acordes, que hoje conta com 150 alunos e 17 professores. Superamos todas expectativas!

Você movimentou a cena musical da cidade com a vinda de grandes artistas e eventos de forma gratuita. Qual foi sua intenção inicial?
No início dos anos 2000, quando minha relação com a música era muito amadora, eu conversava com alguns profissionais e mostrava interesse em trazer workshops para a cidade. Eles me diziam que não tinha público e que não ia dar em nada, eu ficava muito bravo. Então, resolvi mostrar que dava certo e em 2008 trouxe o Kiko Loureiro (guitarrista do Megadeth) e foi um sucesso. No ano passado foi a vez do melhor baterista do mundo, Aquiles Priester, que além de tocar, deu uma palestra motivacional para a galera. Ele ficou tão impressionado com o público que propôs dar algumas aulas na escola. As vagas foram esgotadas em poucos dias.

As outras escolas da região quase nunca fazem eventos e eu gosto de influenciá-las a fazer o mesmo, pois todos ganham com isso. Antes eu fazia workshops e ficava bravo porque quase ninguém ia, então priorizo datas legais para a maioria e eventos gratuitos, para que todos possam ter acesso. Arrecado alimentos e além de ajudar instituições, a mídia também divulga gratuitamente. Quero olhar para as cadeiras e ver que cada pessoa que imaginei que iria, está de fato.

A mesma trajetória de sucesso aconteceu com o festival Rock in Rio Pardo, que está na 13ª edição e maior do que nunca. Como você conseguiu levar o rock´n roll a um lugar onde shows sertanejos atraíam público estrondosos?
Quando eu montei minha banda havia muitas outras começando na região e que não tinham lugares para tocar, pois os clubes priorizavam pagode e sertanejo. Até que eu e mais 20 músicos fomos à prefeitura para pedir um lugar para nós. Foram muitas portas na cara, até que restei eu e mais três pessoas, que conseguimos a liberação de um espaço da cidade, chamado Expopardo. A primeira edição teve umas 50 pessoas, com família e amigos e quase nenhuma estrutura. Nos anos seguintes as pessoas continuavam pedindo pelo evento e de forma simples fomos tocando o projeto. Passamos a ter palco, som mais profissional e foi melhorando. Até que em 2013, a administração da cidade deu um maior apoio em questão de estrutura e conseguimos trazer a banda Dr. Sin para encerrar o evento. Atraímos olhares de toda região e no ano seguinte o evento ganhou um novo prisma, com dois dias de duração, shows de diversas bandas amadoras, fechando com chave de ouro com Raimundos e a volta da Banda Ira!.

Como não poderia ser diferente, no ano passado tivemos Velhas Virgens e Ultrage a Rigor, com público de dez mil pessoas. Em 2016 não será diferente, mas a atração ainda é segredo. Desta forma, as bandas independentes saem ganhando e a cidade também. Não quero nenhum tipo de exclusividade, pelo contrário, quero que cada vez mais haja mais eventos gratuitos na região. Os empresários devem deixar de lado uma ambição financeira, para focar no nome, pois esse dinheiro vai acabar voltando.

Qual a mensagem que você deixa para as pessoas que têm medo de perseguir seus sonhos influenciados pela opinião alheia?
Prove que as pessoas estão erradas. Muita gente torceu nariz para meus projetos e ainda torce. Consegui mudar o pensamento de muitos, mostrando que meu trabalho é sério. Se eu tivesse dado ouvidos àqueles que disseram que era complicado, não estaria onde estou hoje. Se você entrar de cabeça e acreditar que dá certo, correndo atrás, a chance de dar errado é pequena, pois você tem vontade de fazer acontecer. Veja o que tem na atualidade e saiba o que pode melhorar e oferecer de forma diferenciada. Foque e percorra o caminho querendo subir um degrau a mais, assim como foi no Rock in Rio Pardo, onde foram dez anos para trazer uma banda de porte grande. Quanto mais tortuoso o caminho, maior a vitória. Hoje o sabor é muito maior do que se eu já tivesse começado com dinheiro. Ter medo é importante, mas a coragem tem que ser maior e a determinação maior ainda. Faça acontecer, que vai valer à pena!

tag: Barry, empreendedorismo, Luciano Pimentel, Rock in Rio Pardo, Tons e Acordes,

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Marcus Bernardes Fundador

A Magia do Mundo dos Negócios – 2013

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