Como a pandemia transformou mães em empreendedoras

Durante a crise gerada pela covid-19, mães se reinventam e abrem empresas.

Como a pandemia transformou mães em empreendedoras
Lucimar Carvalho e Patrícia Bonafé (Imagens Reprodução/Revista PEGN)

Durante o período da pandemia, além de desempenharam o papel de mãe, muitas mulheres também tiveram que se reinventar e empreender diante da crise econômica com desemprego crescente.

De acordo com um estudo do SEBRAE MINAS, 70% das mulheres consideram a maternidade um fator crucial para empreenderem na pandemia.

Uma vez que, 33% das mães consideram a flexibilidade de horários para ficar com os filhos o principal benefício do empreendedorismo. Além disso, o segundo maior quesito apontado por elas é a melhor fonte de renda.

No entanto, devido ao trabalho doméstico excessivo, 33% das empresárias com filhos reduziram sua atenção aos negócios, em comparação com 24% dos pais. Se o salário das mães com filhos menores de dez anos for reduzido, essa proporção aumentará para 50%.

Quase 30% das empresárias disseram que passam mais de 3 horas por dia fazendo trabalhos domésticos e cuidando de crianças. Enquanto apenas 16% dos homens disseram que vivem na mesma realidade. Para mães com filhos menores de dez anos, essa proporção sobe para 54%.

Além disso, os resultados do negócio também refletem o menor tempo para trabalhar. Um estudo global publicado pelo Facebook em fevereiro deste ano mostrou que as pequenas empresas lideradas por mulheres têm mais probabilidade de falir devido à pandemia em 7%.

Em comparação com o mesmo mês do ano passado, em janeiro deste ano, as vendas de redes sociais entre mulheres empresárias caíram 64%, em comparação com 58% para os homens.

“As maiores diferenças de gênero ocorreram na Europa e na América Latina e, em alguns casos, elas são realmente nítidas”, afirmu a COO do Facebook, Sheryl Sandberg.

Portanto, para entender os principais desafios enfrentados no período, confira histórias coletadas pela PEGN sobre mães que resolveram empreender durante a pandemia.

Lucimar: “Não tento ser a Mulher Maravilha”

Lucimar Carvalho, dona da Mara Doces e Delícias (Foto: Divulgação/Site PEGN)

Mãe de um menino de 12 anos, o Matheus, Lucimar Aparecida Gomes de Carvalho, 47, era auxiliar administrativa e trabalhou muitos anos em empregos com carteira registrada, mas, no início da pandemia, estava desempregada. Por isso, tomou a decisão de ter o seu próprio negócio.

A inspiração veio de uma memória afetiva da infância: os bolos que sua mãe fazia para ela e seus irmãos nas datas especiais. Assim, em abril de 2020 Carvalho abriu a Mara Doces e Delícias, na zona sul de São Paulo. Ela não tinha experiência, então se jogou em cursos e buscou conteúdo sobre a área.

Os principais canais de venda da empreendedora são o Facebook, Instagram e o WhatsApp Business. “Me organizei para ser mãe e empreender, sem tentar ser a Mulher Maravilha: planejando e dividindo as tarefas diárias.”

O volume de vendas tem sido de dois bolos festivos e entre dez e 12 bolos de pote por mês, mas em datas comemorativas a quantidade sobe.

“Tive muitos aprendizados, passei a acreditar em mim mesma e abri os olhos e a mente para várias crenças limitantes que eu tinha e que me paralisavam.”

disse Lucimar Aparecida em entrevista para a PEGN

Carina: Mãe de manhã, empreendedora à tarde 

Carina Soares de Oliveira, franqueada da Sofá Novo de Novo, com os filhos Otávio e Lívia (Foto: Arquivo Pessoal) – Via Site PEGN

Antes da chegada do coronavírus ao Brasil, a paranaense Carina Soares de Oliveira, de 39 anos, trabalhava com o marido em uma empresa especializada em venda de exaustores. Com o início das aulas online dos filhos Otávio, de oito anos, e Lívia, de cinco, ela precisou ficar em casa e se dedicar a ajudá-los.

Ademais, Oliveira começou a procurar por algo que pudesse fazer em casa, que a permitisse ter mais flexibilidade de horários e complementar a renda da família. Durante as pesquisas, conheceu a microfranquia Sofá Novo de Novo.

“Como meus filhos são alérgicos, sempre estive atenta às questões ligadas a higienização e achei interessante a proposta da empresa, motivo que me levou a investir nela.”

Carina Soares de Oliveira em entrevista para a PEGN

Além disso, a empreendedora conseguiu aproveitar uma promoção no investimento inicial, que saiu de R$ 25,9 mil por R$ 12 mil, e começou a operar o negócio há quatro meses.

Ela conta que no começo foi difícil conciliar o tempo de trabalho com a dedicação aos filhos, mas que pôde contar com o apoio do marido.

“Coloquei em prática a organização de tempo que aprendi com ele e fiz uma lista de prioridades, que deu certo. Tiro um tempo com as crianças, para ajudá-las e passar um tempo com elas, e depois foco no trabalho.”

Carina Soares de Oliveira em entrevista para a PEGN

Patrícia: professora transformou um negócio de bolos em escola virtual de culinária

Patrícia Bonafé, criadora do Futricando na Cozinha (Foto: Divulgação) – Via Site PEGN

A professora Patrícia Bonafé, 45, resolveu mudar completamente de vida na segunda gravidez. Principalmente, porque perdeu grande parte do desenvolvimento de seu primeiro filho devido ao trabalho.

“Ele deu os primeiros passos e começou a andar na escola, e eu perdi isso.”

Patrícia Bonafé em entrevista para a PEGN

Mãe do João Vitor, de 20 anos, e da Maria Julia, de 14, ela resolveu transformar um hobby em negócio. A empreendedora começou a fazer bolos e doces para vender quando a segunda filha nasceu.

Ao longo dos anos, Bonafé conta que errou bastante, mas buscou capacitação em cursos de gastronomia. Desde então, ela passou a assinar uma coluna sobre o tema em um jornal local, em Taubaté (SP), e até lançou livros.

“Hoje, eu sei que empreender é usar o tempo de maneira estratégica para ter o melhor resultado. Antes, eu não tinha ideia disso.”

Patrícia Bonafé em entrevista para a PEGN

A chegada da pandemia fez com que ela mudasse o foco do negócio. Ao perceber que muitas pessoas estavam perdendo seus empregos, ela resolveu trazer sua profissão de formação para o novo negócio que estava criando. Assim, Bonafé criou a página Futricando na Cozinha no Facebook para ensinar pessoas a cozinhar. Depois, o projeto evoluiu para um grupo colaborativo de discussões na mesma rede social, onde as pessoas trocam receitas e aprendizados.

Apesar de estar empolgada com o projeto, ela admite que trabalhar em casa na pandemia está longe de ser uma tarefa fácil.

“Tenho tentando incluí-los (os filhos) mais nas atividades. Estou sempre propondo algo diferente e pedindo a ajuda deles, para que não sintam tanto o baque do isolamento.”

Patrícia Bonafé em entrevista para a PEGN

*Com informações da PEGN

LEIA TAMBÉM: Pfizer obtém mais de US$ 3,5 bilhões em receita nos primeiros três meses deste ano

tag: empreendedorismo, Empreendedorismo Feminino, empreender, maes empreendedoras, mães empreendedoras,

avatar

Marcus Bernardes Fundador

A Magia do Mundo dos Negócios – 2013

ARTIGOS RELACIONADOS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.