Como a Heineken enfrentou os desafios do home office?

O modelo de trabalho Home Office foi adotado por várias empresas durante o isolamento social. No entanto, esse novo sistema de trabalho traz vantagens e desafios.

Como a Heineken enfrentou os desafios do home office?
Raquel Zagui: “A gente precisa, de fato, fazer com que a organização adote a mentalidade do remote first” (Raquel Zagui/Divulgação)

Esse cenário também se aplica ao Grupo Heineken Brasil . Em janeiro o grupo entrou na lista de empresas que decidiram colocar os funcionários em regime de trabalho remoto mesmo após o fim da pandemia.

Desse modo, os contratos de trabalho foram ajustados, e novas mudanças estão a caminho, como uma readequação do propósito do escritório.

A decisão de colocar as equipes de forma Home Office definitivamente vem a partir de um acompanhamento do grupo de como os funcionários avaliaram seu bem-estar durante a pandemia. 

Primeiramente, antes da crise sanitária, a empresa já tinha a opção de home office, que costumava ser de uma vez por semana. No entanto, com a necessidade de isolamento social, o Grupo Heineken viu que o trabalho home office foi algo que funcionou.

Assim, a ideia é que o escritório seja usado para brainstormings, encontros, reuniões e por quem deseja sair de casa até duas vezes por semana para trabalhar.

A medida traz vantagens como: a redução de custos para as empresas, flexibilidade para os trabalhadores e possibilidade de contratar profissionais de qualquer cidade. Além disso, o home office definitivo também traz desafios grandes para as empresas e gestores.

Veja abaixo alguns desafios impostos pelo home office e a saída que a Heineken utilizou para cada um deles.

Desafio 1: Como monitorar a produtividade das pessoas

Um medo comum entre alguns gestores é o de garantir que as pessoas estejam efetivamente trabalhando quando estão de Home Office. Na Heineken, algumas lideranças se sentiram inseguras no início, mas segundo Raquel Zagui, vice-presidente de Recursos Humanos, os “convenceu” com a seguinte comparação: 

“A pessoa que vai deitar no sofá e ver Sessão da Tarde é a mesma que vai ficar jogando no computador e fingir que está trabalhando. A grande maioria dos funcionários está a fim de trabalhar e de fazer. Não adianta pegar o exemplo de quem trabalha, porque isso pode ter. Nós não vamos colocar uma câmera no home office da pessoa, né?”, brinca a vice-presidente.

Além dessa mudança de mentalidade, a executiva destaca a importância dos processos que monitoram a performance. 

Desafio 2: Como manter engajamento e integrar as pessoas

Além disso, outro desafio colocado para as empresas desde que o home office foi instaurado é o de manter as pessoas engajadas e conectadas entre si. No entanto, na Heineken não houve queda de engajamento. Em 2020, ele se manteve em 90%, de acordo com Raquel Zagui.

Como será permitida a ida ao escritório da Heineken por até duas vezes por semana, Raquel defende que esses momentos sejam usados para a integração e ressalta a importância de mais conversas e eventos como um happy hour virtual.

Desafio 3: Como não privilegiar quem vai mais à empresa

Em modelos híbridos ou nos que as empresas mantêm a oportunidade de as pessoas irem algumas vezes ao escritório, há o risco do tratamento desigual. Por isso, quando as decisões começam a acontecer mais de forma presencial, pode estar nascendo um problema. Para Raquel Zagui, a mentalidade remota deve ser um imperativo. 

“A gente precisa, de fato, fazer com que a organização adote a mentalidade do remote first. O remoto não é opcional. Se tem uma pessoa em casa e outros foram à sede em uma reunião, a gente tem que agir como se essa reunião fosse virtual. Se não for isso, se não for genuíno, aí vai ser um desastre. Aí a gente vai ter que voltar atrás”

Para garantir isso, a executiva da Heineken defende que a liderança e o setor de Recursos Humanos sejam embaixadores dessa cultura. 

“Se tiver uma reunião presencial e algumas pessoas de casa, não dá para esvaziar o tema da reunião antes ou depois. A brincadeira, a descontração, também tem que ficar para o momento da reunião”, explica Raquel.

Leia também: Ansiedade no trabalho é um mal que assola mais da metade dos brasileiros

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Marcus Bernardes Fundador

A Magia do Mundo dos Negócios – 2013

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