Empreendedor larga carreira e decide viajar o mundo de bicicleta sem recursos – Episódio 3

Empreender muitas vezes é uma opção após longos anos de carreira, em busca da autonomia, liberdade e até mesmo de um sonho. Mas não foi o que aconteceu com Eduardo Corrêa, que desde os 14 anos já fazia parte do mundo dos negócios.

Eduardo chegou a ter pontos enormes de negócio, mas, aos 20 anos decidiu que não iria mais sobreviver, mas sim viver, então partiu em uma jornada para conhecer o mundo em duas rodas.

Ele saiu de Vitória, no Espírito Santo e passou pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e agora segue pelo sul. Isso não significa que ele deixou de empreender, pois o dia a dia sem planejamento exige decisões certeiras. A aventura está sendo contada na fanpage Mochilando em duas rodas.

Hoje você acompanha a terceira parte da empreitada de Eduardo, que será contada toda semana em A Magia do Mundo dos Negócios. Vamos embarcar nesta aventura? (se você não viu o primeiro episódio da aventura, acesse aqui. Se não viu o segundo, clique aqui)

“Estava em São José dos Pinhais (PR) e decidi comprar umas frutas para seguir jornada, onde o quilo de qualquer alimento custava R$ 2,39. O engraçado é que fui fazer as compras e conversei com um senhor, contei um pouco da viagem e nos despedimos.

Fui até um supermercado para comprar pão e quando vejo ele estava lá, veio até mim e disse que distraído acabei pegando as bananas dele. De fato, eu estava com sua sacola. Demos risada e ficou tudo certo.

Fui pedalando sentido a BR e decidi parar em uma sombra que tinha em uma passarela, comi, fiquei pensando na jornada, e apareceu um rapaz que se interessou pela minha história, conversamos bastante e ele disse para eu esperar um pouco. Dali a pouco ele voltou com coisas pra gente comer, fizemos amizade e depois disso ele passou os contatos dele.

Fui embora sentido a Santa Catarina e lá na frente começou a escurecer o tempo e a chover, cair gelo, granizo, e eu estava a 150 metros do próximo posto, pedalei com força, e, quando entrei embaixo do posto começou a cair muito gelo, foi muito barulho. Cinco minutos depois apareceu um motoqueiro com o braço todo machucado.

Montei a barraca no posto e quando fui comprar uma marmitex, como eu só tinha R$ 5, fui negociar pra conseguir o que sobrasse quando estivesse fechando.

Conversei no balcão, contei que era viajante e fazia freelancers, artesanatos e a atendente disse que o patrão ordenou que se alguém precisasse de alimento era para dar e que se não desse, o funcionário seria mandado embora, é a regra da casa.

Lagoa dos Tapes, onde os amigos de Eduardo fizeram uma jornada de caiaque. (Arquivo Pessoal)

Lagoa dos Tapes, onde os amigos de Eduardo fizeram uma jornada de caiaque. (Arquivo Pessoal)

Ela não aceitou o dinheiro e mandou fazer a marmitex, achei muito bacana, uma empresa humana. Eu estava ruim no outro dia e fiquei o dia todo na barraca, ficando por dois dias neste posto.

Depois, segui em frente e cheguei até a serra, onde pedalei muito.  Comecei a pegar velocidade na descida e era muito íngreme, comecei a ultrapassar os caminhões que desciam, a uns 70 km/h. E, como não tinha acostamento, fui pelo meio da via, até que vi um carro do meu lado com uma mulher me filmando descendo a serra, achei interessante, queria encontrá- la para ver a filmagem.

Quando cheguei à divisa do Paraná com Santa Catarina eu parei em um posto para pegar água e fiz amizade com Josimar, um caminhoneiro que me ofereceu carona até Itajaí, onde eu precisava chegar para lavar minhas roupas em um amigo, pois estava com a última peça limpa.

Joguei a bike no caminhão e partimos, mas tivemos que parar em uma cidade para resgatar um amigo dele que sofreu acidente e depois procurarmos a polícia para fazer a ocorrência e ligar para a seguradora.

Acabamos perdendo a rota e ficando longe do meu destino, então paramos para dormir em um posto.

Rolo, Eduardo e Micael, que o receberam em Tapes. (Divulgação)

Rolo, Eduardo e Micael, que o receberam em Tapes. (Divulgação)

Na manhã seguinte partimos e ele me deixou em Porto Alegre (RS), então acabei não atravessando Santa Catarina de bicicleta.

Na cidade, coloquei por duas horas meus artesanatos para vender e não rendeu nada, então parti rumo a Pelotas. No caminho a corrente estourou, tive que arrumar e seguir, mas quando me dei conta havia passado oito quilômetros do destino e o sol estava se pondo.

Decidi seguir em frente, pedalei com muita força para chegar logo. Passei por uma ponte móvel e observei as ilhas, havia muito lixo e fiquei pensando que as pessoas reclamam da política, mas não é só isso, o problema é a população também.

Cheguei a uma cidade chamada Eldorado do Sul, onde conheci um uruguaio que mora no Chuí e depois um rapaz que é de um motoclube, que pegou meu contato para me ajudar quando eu chegar ao Uruguai. Eu estava sem comida e sem dinheiro, e fui a supermercado chamado Poko Preço, chamei a gerente contei que fazia freelancers e ela acabou me chamando para trabalhar por um dia por R$ 60. Então dormi em um posto que fiz amizades, ganhei um lanche e saí cedo para trabalhar.

Eu devia começar às 8h, cheguei às sete horas, fiz amizades e até conheci um fotógrafo que viajou oito anos pelo mundo. Concluí meu serviço e ainda pude comprar uns enlatados para continuar a viagem. Essa experiência mostra que o país não está em crise, tem dificuldades, mas se tivesse em crise eu, sem moradia fixa, não teria arrumado um emprego, que prova que muitas vezes as pessoas não correm atrás e não fazem por onde. Se houvesse realmente crise, ninguém estaria tomando café de manhã, almoço, janta e quase todos estão. Dificuldades existem, mas a crise é uma farsa.

Na última noite antes de ir embora eu estava conversando com o pessoal, tomando chimarrão e conheci dois garotos que gostaram da minha história, tiramos fotos, fizemos amizade e aí, quando o posto ia fechar,  o segurança conversou comigo, me deu água quente e viramos a madrugada conversando, seu apelido é “Barulho” e foi um dos dias que mais ri na vida, o cara era master engraçado.

Na hora de ir embora eu estava tomando chimarrão em um copinho e ele me chamou e me deu de presente uma cuia pra eu tomar, pois está frio e tenho tomado muito.

Arrumei a barraca e antes de sair para pedalar apareceu um mochileiro, percebi que era de fora, um polonês, dei um joia para ele e na hora que eu dobrava minha barraca ele perguntou se eu queria ajuda em inglês, e eu entendi só o help, porque não falo a língua. Por fim, entendi que ele queria ir para Pelotas de carona e tentei ajudá-lo, escrevendo em um papelão seu destino. Logo depois vi que ele não estava mais lá, então deu certo. Foi uma experiencia muito massa.

Eduardo está em Eldorado do Sul, onde recebe treinamentos de bombeiros civis. (Arquivo Pessoal)

Eduardo está em Eldorado do Sul, onde recebe treinamentos de bombeiros civis. (Arquivo Pessoal)

Neste trecho, muita gente vinha conversar comigo, dizer que admira minha “loucura”, pegaram contatos, fui embora de lá e fui pedalando sentido Pelotas, para onde eu iria.

Tive que parar em um posto, sem dinheiro também, mas tinha os enlatados. Me ofereci para fazer algum serviço, mas me ofereceram lanches sem nada em troca, disse que limpava o chão, faria algo para recompensar e eles disseram “já basta sua presença aqui”, foi bem bacana. Dormi lá e no outro dia continuei em direção a Pelotas, segundo dia com a mesma roupa e elas sujam bem rápido, precisava urgentemente lavar tudo. Pedi ajuda pelo Facebook e pelo aplicativo de viajantes, mas todos disseram estar na mesma situação.

Até que um rapaz de Tapes (RS) disse que tinha máquina e secadora, que eu poderia usar, mas a cidade era regredindo a jornada.

Então agradeci e ele me passou o contato com um amigo que estava próximo. Dormi em um posto e no outro dia o pneu furou e fui empurrando uns oito quilômetros a bicicleta.

Pela primeira vez estava sol, tirei as blusas, comi frutas, e consegui arrumar o pneu da bike. Cheguei então a casa de Rolo Beguer, que é um dos dos caiaquistas que fez expedição na Lagoa dos Patos. Ele e Micael deram a  volta em 35 dias, foram quase 700 quilômetros. Um louco do asfalto encontra um louco da água que está fazendo história.

Fui muito bem recebido, o cara cozinha super bem, fez um rango massa e me deixou bem encaminhado, indicando a jornada até Arambaré (RS), onde bombeiros civis me esperavam, e é onde estou hospedado até 7 de agosto, sendo bem recebido, ajudando algumas pessoas em situações e fazendo treinamentos. Mas isso eu conto no próximo episódio.

Mais uma vez fui surpreendido em cada momento com uma coisa diferente, a não ser com o pneu furado, que sempre acontece, é a marca registrada do ciclista.

Até a próxima”,

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Marcus Bernardes Fundador

A Magia do Mundo dos Negócios – 2013

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