Empreendedor larga tudo e decide conhecer o mundo de bicicleta – Episódio 1

Empreender muitas vezes é uma opção após longos anos de carreira, em busca da autonomia, liberdade e até mesmo de um sonho. Mas não foi o que aconteceu com Eduardo Corrêa, que desde os 14 anos já fazia parte do mundo dos negócios.

Eduardo começou com um negócio de venda de produtos de limpeza automotiva, depois foi para a área de reformas, montou uma empresa de higienização automotiva, uma agência de publicidade, uma escola de empreendedorismo e eventos. E por último,  retomou os negócios na área automotiva.

Eduardo chegou a ter pontos enormes de negócio, mas, aos 20 anos decidiu que não iria mais sobreviver, mas sim viver, então partiu em uma jornada para conhecer o mundo em duas rodas.

Há três meses ele saiu de Vitória, no Espírito Santo e passou pelo Rio de Janeiro, São Paulo e agora se encontra no Paraná. Isso não significa que ele deixou de empreender, pois o dia a dia sem planejamento exige decisões certeiras. A aventura está sendo contada na fanpage Mochilando em duas rodas. 

A partir de hoje você acompanha a empreitada de Eduardo toda semana em A Magia do Mundo dos Negócios. Vamos embarcar nesta aventura?


Episódio 1

Olá, sou Eduardo Correa, mas pode me chamar de Gringo, tenho 20 anos e sou empreendedor desde os 14 anos. Mas um dia resolvi parar  tudo para viver um sonho.

Estou numa jornada que levará de sete a oito anos, onde vou dar a volta ao mundo de bicicleta, sem dinheiro e fazendo treinamentos de sobrevivência em vários países, no gelo, na selva, montanhismo.

Decidi largar meus negócios para realizar um sonho, o desejo de conhecer todo o mundo, novas culturas, viagens, países, pessoas, fazer treinamento em diversos lugares e testar minha capacidade de sobrevivência.

O estopim aconteceu quando eu vi que estava fazendo tudo que eu queria fazer, mas que não estava vivendo, mas sobrevivendo. Então me joguei de cabeça nesta empreitada de conhecer o mundo, desafiar meus conhecimentos, descobrir novos lugares andando de bicicleta sem ter fonte de renda mensal, tendo que empreender no caminho para me alimentar, de vez em quando dormir em um hotel ou acampanado em matas, desertos, rodovias ou postos.

Mas, o que é viver? É fazer aquilo que você tem no coração, aquele desejo… vemos muita gente morrendo frustradas porque não realizaram muitas coisas na vida, porque se dedicaram a bens materiais, empresa, ter um bom carro, boa casa, fazer seu “pé de meia”, como dizem.

Eu acho que nós estamos nesta vida de passagem, então devemos curtir cada momento. Sim, é muito bom ter casa e carro, mas devemos também dar valor às pequenas coisas.

Vi que eu só me dedicava ao trabalho de segunda a sábado e domingo ia à igreja, mas nem a fé estava bem alimentada por causa da vida cotidiana comum de um empreendedor ou como de qualquer outra pessoa.

No caminho, a troca de artesanato por uma marmita. (Arquivo Pessoal)

No caminho, a troca de artesanato por uma marmita. (Arquivo Pessoal)

Quando eu tinha meu negócio, muitas vezes eu não podia sair, porque tinha reuniões, muitas vezes não podia porque não tinha dinheiro, porque estava investindo. Em outras, tinha dinheiro, mas não tinha tempo, eu estava perdendo um precioso tempo que poderia estar fazendo outras coisas.

Muitas pessoas deixam de ver familiares, pais que moram longe, por se dedicar muito à vida financeira, pensando sempre nas coisas que o dinheiro pode comprar. E o dinheiro não traz felicidade, ajuda com certeza, mas não traz.

Faz três meses que eu estou no trecho, como a gente diz, e encontro bastante dificuldade, sol, frio, lugar pra dormir, às vezes as pessoas dizem que a cidade é perigosa, outras mais tranquilas, mas sou bem recebido.

Algumas coisas são bem difíceis nessas viagens, fico cansado porque estou levando peso, pedalando a horas, sol forte na cabeça, pouca água, tendo que parar para achar uma bica para encher o reservatório. Algumas vezes o pneu fura e tenho que empurrar a bicicleta, já cheguei a empurrá-la por 22 quilômetros com tudo nas costas.  

Mas, vale muito a pena quando chego nos lugares e estados que não conhecia e as pessoas olham de um jeito diferente. Há quem olhe com preconceito, mas a maioria pergunta minha história, quer saber de onde vim, para onde vou, como me viro e isso é muito bacana porque as pessoas muitas vezes dizem que têm vontade de conhecer o mundo, ou atravessar estados de bicicleta e não podem por causa da família, doenças, problemas na coluna, por exemplo, e quando elas falam comigo, eu vejo o brilho no seu olhar e falam “vai, se cuida”.

Eu vejo que estou realizando o sonho de algumas pessoas e elas querem me acompanhar pela internet , WhatsApp, querem saber como seria se eles estivessem no meu lugar. Então, de forma especial eu realizo o sonho dessas pessoas mesmo se elas não estiverem fazendo isso.

Uma coisa muito bacana que só descobri na viagem, foi aprender mais sobre história, cultura das cidades, pessoas, andarilhos que conversei, com uma bagagem muito grande, que, infelizmente por alguns motivos estão na rua, mas através destas pessoas aprendi muito mais do que aprendi na escola.

Então é muito legal, cada dia tem algo novo, uma história nova, paro em pontos históricos para conhecer um pouco mais. É um desejo que vem ao coração, que antes não tinha, pois eu não dava o devido valor a este tipo de coisa.

Acampei na Torre de Pedra, no oeste de São Paulo, onde fui surpreendido por um porco do mato. (Arquivo Pessoal)

 

Neste tempo de viagem eu fiz alguns testes de sobrevivência, coisas para me acostumar e treinar um pouco da capacidade, dormi em uma noite na beira de um represa em Bofete (SP), esta noite estava 16 graus, sensação térmica de 13 graus, bem frio, eu só tinha um facão, isqueiro e mais nada. Nesta noite choveu, tomei quatro horas de chuva, tive que me virar para não ter hipotermia naquele momento.

Fui para Botucatu (SP) na Cascata de Marta, fiquei dois dias, também para Torre de Pedra, com mata bem fechada, onde havia porco do mato, fiz testes e me preparei.  Amigos que fazem camping sempre falam que sou louco, “que doidera fazer isso sozinho”, “você não bate bem”, sempre tem esses comentários.

Às vezes as pessoas acham um absurdo eu estar pedalando 100 quilômetros por dia, levando 30 quilos nas costas, todo dia tendo que fazer algo para levantar dinheiro pra comprar comida. Se a bike quebra tem que arrumar. Mas prefiro viver assim, porque agora realmente estou vivendo e tendo um conhecimento que eu não teria se eu não estivesse viajando.

E é muito legal, aqui mesmo no Brasil, conheço chilenos, argentinos, pessoas de fora que têm histórias para contar, então aprendo muito em cada cidade ou estado que passo.

Também acontece de eu poder ajudar outras pessoas que estão como eu, dividir o lanche ou auxiliar alguém que quebrou seu carro na estrada.

Atualmente há muitas pessoas que me admiram, querem ajudar mesmo estando longe, pessoas que me chamam de motivação, pessoas que mochilam e querem gastar pouco, falam sobre coragem, técnica e elogiam meu novo estilo de vida e isso abre um leque, para daqui alguns anos, vivenciando novas culturas, línguas, novas pessoas, perfis, todo este conhecimento pode me trazer tanto sobrevivência, quanto cultura, me abrem um leque muito grande no mundo dos negócios, então tenho certeza que lá na frente, depois desses oito anos, vou estar muito mais preparado do que em uma faculdade, MBA ou qualquer curso me prepararia.

Vou ter mais conhecimento para me entregar mesmo e fazer aquilo que quero fazer com mais qualidade, amor e carinho. Principalmente nesses nichos de sobrevivência, cultural, mochilão, ainda não tenho um negócio exato, mas tenho oito anos pra estudar e viver essa vida de viajante ciclista.

Até a próxima!

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Marcus Bernardes Fundador

A Magia do Mundo dos Negócios – 2013

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