A infeliz moda de agitar e não entregar – Por Bruno Perin

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jun 16, 2016

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Esses tempos estava conversando com uma profissional de uma empresa a qual presto alguns serviços e ela me apresentou algo incrível, fez todo um discurso da mudança que causaria e precisaria da minha ajuda. Me mostrei solícito e comecei a mandar alguns materiais, levantar questões pertinentes e enviar dicas para tornar aquilo realidade e então a profissional começou a desaparecer.

Foi quando eu ia mandar meu quinto e-mail para a pessoa com mais incentivos para transformar aquilo em realidade que lembrei do meu tempo “das ideias”. Quando era novo, por certo tempo eu tive esse apelido, e achava o máximo. O cara que tinha muitas ideias.

Eu me imaginava em uma cadeira, apenas dando ideias para as pessoas e ganhando muito dinheiro com isso, até comecei um blog chamado Refúgio das Ideias para iniciar o negócio. Mas, mal sabia eu, que no fundo esse apelido era uma faca de dois gumes, se referia a uma pessoa que poderia lhe ajudar trazendo diversas sugestões, mas também relatava uma pessoa que não realiza as coisas.

Eu me lembro como se fosse hoje, pois eu senti essa faca entrar em meu peito e acertar diretamente o meu ego que estava muito inflado quando uma verdadeira amiga me falou – Bruno, estou te falando isso porque gosto de você, mas muitas pessoas acham que você apenas fala as coisas e não faz. Que você vende, mas não entrega.

Duras, amargas, difíceis e gloriosas palavras. Talvez uma das coisas mais importantes que ouvi na minha carreira. Adriana Arruda, CEO do Challenger Brasil, foi a autora delas e uma das pessoas que tem sua contribuição inesquecível na minha carreira. No momento, foi uma das raras vezes que fiquei sem reação. E depois de muito pensar, notei que era uma infeliz verdade.

Resolvi fazer uma mudança drástica e por ela começaria a entregar tudo que tinha prometido, fui levantando promessa por promessa e cumprindo uma a uma. Logo depois comecei a sempre lembrar, quando fazia uma proposta, lançava uma sugestão a alguém, se isso der certo, custe o que custar eu vou ter que entregar.

Até que esses dias, aconteceram mais dois fatos importantes que refletem essa realidade. Me convidaram para um evento online. Esta pessoa é bastante prestigiada,  me falou do super evento, me contou mil e umas maravilhas do que seria, pediu a minha ajuda e mandou um material lindo dele. Eu fui lá e me dediquei bastante para produzir uma palestra à altura. Porém, depois como de costume, tudo aquilo foi esfriando e hoje eu não faço nem ideia se as pessoas chegaram a baixar a minha palestra lá no dropbox. Fiquei pensando, “que saco é tão fácil ficar inflamando o que se vai fazer, mas porque não se conclui as coisas, ou ao menos se dá a justificativa do porque não vai acontecer” – afinal às vezes imprevistos acontecem.

E também sejamos justos, as vezes com tantas atividades e responsabilidades esquecemos, mas quando você não se lembra e a pessoa vem te cobrar, acredito que deveria ter uma vontade anormal para fazer o prometido e manter sua palavra em pé.

O segundo caso foi quando estava falando com o Flavio, meu parceiro no Startup Crazy e nós tínhamos combinado algumas atividades para cada um. Em dois dias eu passei praticamente tudo que precisava e falei quando conseguiria entregar o resto, e ai que ele me lançou uma das frases que mais me animou e também me preocupou – Nossa cara, estou assustado, você realmente entrega aquilo que prometeu e até estranho trabalhar com alguém assim.

Fiquei feliz por ter enterrado o lado ruim do famoso “das ideias”, agora existe uma pessoa que faz aquilo que se comprometeu, porém veio essa preocupação imensa – existe uma síndrome de agitar e não fazer no ar. Ora ser estranho, as pessoas que cumprem as suas promessas e palavras.

Portanto, gostaria de lhe chamar atenção sobre isso e fazer você refletir um pouco, será que estou com um pouco disso? Muitas pessoas da nova geração estão contaminadas, mas o lado bom é que você pode aceitar essas duras palavras que foram ditas para mim, pegue-as emprestadas para você e aja. Você não vai querer o lado sombrio do “das ideias”.

Saiba mais em:

brunoperinBruno Perin
Empreendedor, consultor, palestrante e escritor.
Graduado em administração de empresas pela UFSM, especialista em Marketing Experience, pesquisador em Neuromarketing e Startups.
Integrante do grupo dos 200 maiores talentos brasileiros pelo Virtvs Group, é referência marcante da nova geração no marketing, sendo responsável por várias campanhas impactantes nas redes sociais em 2011/12.
Com experiências em palestras nacionais e internacionais,
é considerado fomentador do empreendedorismo e da disseminação do conceito de startup no país.
Conectado com os mentores desse tipo de programa no mundo, estuda o implemento e o funcionamento das startups, sendo apontado como evangelista da Geração Y/Z.
Hoje é o grande nome do Neuroempreendedorismo no Brasil.

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Marcus Bernardes Fundador

A Magia do Mundo dos Negócios – 2013

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